Quantos dias gastos e quão pouco vivi! O meu ontem foi o meu hoje e será meu amanhã, desconheço o sabor da aventura, do pecado e dos segredos. Olho para trás e não enxergo um passado, por ter todo esse tempo apenas repetindo a minha história, deixando tudo por conta do tempo, sem perceber o quanto ele degrada e corrói.
Nas minhas amarguras mergulhei e apenas com elas convivi, dormindo com elas, vivendo por elas e deixando-as consumir-me por inteiro. Dos dias de alegria, só me há a recordação da distância e da não esperança de um dia sorrir, chorar e sentir a vida suspirando dentro de mim.
Pelas minhas poesias, meus versos inacabados e minhas fantasias incompletas, degrado-me e não lutarei contra o meu parasitismo. Na hora da morte, não irei suplicar pela vida, pois simplesmente, não a vivi.
De tudo, apenas restou a solidão.
Nas palavras que rabisco nessa folha de papel, o sentido daquelas é tão vazio o quanto se encontra o meu coração, no vácuo da humanidade, disperso no além-mar. Não saberia dizer o porquê da multiplicidade de sentimentos inócuos e de tamanha relevância dentro de meu ser, já que o nada não significa nada, e o meu sofrimento justifa-se pela ausência de mim mesmo.
Queria eu poder cantar e dizer ao mundo que existo, porém meu grito junto com a brisa se esvai e o único que ouvi a minha agonia resumi-se ao ser que habita dentro de mim, louco para se libertar. Prendo-me as minhas próprias limitações, não consigo enxergar o quão profundo os olhos do meu coroção alcançam na imensidão da minha alma, à minha frente só agonia e longa espera de anos que demorarão a se passar...
No mais, recito versos ao meu amor de outras eras, que já não jaz a minha época, foi-se antes de eu mesmo existir. Transformou-me em ser vilipendioso, em um pérfido infeliz, esquecido por sua própria plêiade, fez me destronar meus versos e esquecer da bondade que um dia me habitou.
Sorte minha não ter mais tantos anos para se desfrutar! Quero apenas reuposar eternamente, no sono mais envolvente que a morte tem para me dar.
Você acorda, se olha no espelho. Ok, realmente você não estava bem, sua cara estava horrível. Então toma um banho, depois um café e volta ao quarto para se arrumar e enfrentar mais um dia estressante no trabalho, veste uma calça jeans e uma blusa bem confortável e novamente se volta para ele, o espelho. Bem, a roupa não estava legal, então você tenta outra e mais outra e nada da certo. Volta para a primeira tentativa. O que há de errado? Aquela roupa sempre caia bem e hoje parece que ela simplesmente está contra você. Mesmo assim é o jeito ir com ela, afinal uma hora ou outra terá que sair de casa.
Depois de ter lutando incessantemente alguns minutos com seu guarda-roupa vem aquele que parece nunca, mas nunca mesmo gostar de você e principalmente dele, o espelho, claro, só pode ser ele, o seu cabelo. Ele nunca irá gostar de você, mesmo comprando cremes e mais cremes, os melhores shampoos, condicionadores importados, fazendo mil e uma hidratações, chapinhas e seja o que mais for e o que a nossa tecnologia cosmética oferecer, ele jamais irá te dar um bom dia, ele simplesmente vive de mal humor. Pega o pente, penteia pra lá, pra cá, faz rabo de cavalo, solta, trança, não nada dá certo. E a franja ainda insiste em não ficar no lugar e por mais que você use o secador nela, parece que ela prefere rir da sua cara também.
Você já está quase se atrasando e nada parece estar dando certo, então ao olhar atentamente para o espelho, lá está a sua inimiga mortal, a danada da espinha. Então quando você já está dando um colapso por não ter roupa e seu cabelo está de mal-humor mais do que nunca, a espinha vem para deixar aquele pontinho no seu rosto notadamente visível a quilômetros de distância, o que fazer agora? Estourar? Não, deixa uma marca terrível. Sair nas ruas e achar que tá todo mundo te olhando? Horrível também.
Respire, 1, 2 e 3. Muita calma, você só tem mais 10 minutinhos. Sabe o que fazer? Pega a roupa, faz o rabo de cavalo e deixa a espinha, sai na rua de óculos escuros e finje que ninguém mais existe. Passando pelas ruas se achando uma verdadeira besta fera no meio das ruas, você passa por uma oficina cheia de homens sujos e suados e simplesmente todos param e ficam olhando para você como se fosse a miss universo. Ok, isso já é bom para levantar o seu ânimo.
PS: isso acontece todo o dia comigo quando vou para a faculdade.
Seu maior passatempo é reviver seu passado, sempre foi muito nostálgica. Naquele dia ela abriu a janela da varanda e viu todas aquelas crianças passando, umas com 10, 11 anos, não mais que isso. Agora eram todas tão diferentes, cada uma com seu celular, seu iPod, sua sandália da moda e maquiadas. No mesmo momento ela lembrou do quanto ela sentia falta dessa idade, mas não por estar descobrindo o delicioso sabor da juventude, mas sim pelas brincadeiras, correr pela calçada e a boneca que ela iria ganhar de presente no seu aniversário.
Ela tinha apenas 18 anos, mas sentia como se tudo a sua volta já fosse moderno demais e ela estava ficando esquecida no tempo. Apesar de todas as modernindades de hoje em dia, ainda preferia abrir a caixa do correio e receber uma carta de um amigo distante a um e-mail, ainda preferia assistir seus clips favoritos no seu velho videocassete, mesmo com toda qualidade digital de um DVD. Ainda gosta de comprar revistas nas bancas do que saber das últimas notícias em qualquer site. Não conhece mais as bandas que tocam nas rádios, suas músicas são as mesmas de quatro ou cinco anos atrás. Adora receber cartões de Natal, e enviar também. No seu guarda-roupa ainda tem aquela blusa que ela acha liinda, mas que já saiu da moda há uns 3 anos e sabe que se usar todos a irão achar cafona e sem senso de rídiculo. Prefere os filmes antigos, os atores antigos, os cantores, os livros, a poesia.
No mesmo momento, ela saiu da varanda e foi ao seu quarto onde abriu uma velha caixa e lá estava suas cartas, sua Barbie que ganhou quando fez 10 anos e um walkman que ela ainda adora, e pensou: "No meu tempo era bem melhor..."
Acordar e ver que nada é como ela quer, que as pessoas que ela tanto gosta não estão ao seu lado.
E ainda tem um tal de reboque ocupando sua cabeça todas as noites.
Meu amor já não bebe, bem janta
Meu amor não dança, nem canta
Meu amor se foi acreditando numa esperança
Meu amor não brinca, nem chora
Meu amor não conta mais histórias
Meu amor não tem mais voltas
Meu amor já não ri, nem pula de alegria
Meu amor cansou de esperar todo dia
Um sorriso de quem adora
Meu amor adoeceu, ficou dreprimente
Meu amor já não quer saber de gente
Morreu de tristeza, se calou descontente.
Poesia idiota.
Durante a aula, um rapaz simpático dono de um belo sorriso começa a rabiscar...:
"Não sei o porquê de você me cativar tanto. Desde que te vi passando naquele corredor vazio, onde apenas eu estava sentado num banco rabiscando palavras soltas e de repente passa uma garota apressada, mas cantarolado uma música que eu não sei qual é, como se o mundo a sua volta não existisse, meus olhos já não enxergam mais nada além de você.
Queria poder te dar um simples 'oi' quando nos cruzamos, mas somos dois desconhecidos... Porém, em meus pensamentos você é a pessoa a qual conto meus segredos, sonhos e planos pro futuro. É com você que durmo todas as noites, é você a mãe dos meus filhos. Acho que estou louco. Não te conheço, nunca nem ouvi sua voz... Mas já te amo, amo.
Quem sabe amanhã descubro que você não é nada que eu imaginei, você não tem o sorriso que eu imagino, não gosta do filme que acho que é a sua cara, nem da poesia a qual eu espero um dia recitar quando houver um silêncio desejado entre nós. Mas saiba que nesse instante é só e somente só a você que eu escuto música todo dia, canto os versos pensando em você, crio rimas que na hora soam bonitas e apaixonantes.
Espero um dia te dar essas palavras, como, eu não sei...Se irão te agradar, não faço a mínima idéia. Talvez comece a rir da minha cara e me ache ridículo. Pode ser que também eu saia dessa minha fantasia e ria de mim mesmo amanhã, mas no momento eu adoro te amar platonicamente e ter você só pra mim em segredo, afinal sem você sabe de nós dois.
Hoje quando terminar a aula, irei te ver, irei te dar um abraço e um beijo, mas só em pensamento. Irei te ver, passarei por você e seremos apenas dois desconhecidos.
Apesar de não ter alguém do seu lado sempre, ela já teve seus casos e acasos. Ela não era de manter nenhum relacionamento pra frente, mas sempre tinha alguém que de vez em quando a olhava com outros olhos, via nela algo especial. Já ficou com alguns garotos, mas nunca passava de uma ou duas vezes, geralmente eram aqueles que você só os tem por uma noite ou era ela mesmo que sumia no meio da festa, sem deixar pista, nem um sapatinho de cristal que nem a Cinderela, deixava apenas a cabeça do rapaz confuso, e dessa forma ele não a buscava mais por insegurança.
Ela não sabia o porquê, mas nunca se apegou a ninguém definitivamente, procurava e não encontrava. No primeiro momento o garoto era ideal, maravilhoso, depois ele passou a ser uma forma idealizada rápida demais, e com isso sua empolgação desaparecia. Era algo que ela não conseguia explicar, não era exigência, acreditava ser o jeito. O jeito de sorrir pra ela, de pegar em sua mão... De dizer que vai embora, mas que quer vê-la de novo, não um simples 'tchau' seguido de um beijo sem sentimento, ela queria algo mais que não encontrava, talvez um olhar que ela encontrasse na multidão ou uma palavra bonita assim que se encontrassem. Infelizmente, a maioria não era assim.
Ela pensava que o que almejava era muito mais do que podia ter.
E o mais engraçado de tudo é que aqueles com aquele jeitinho especial, foram justamente aqueles que não encontraram o jeitinho especial nela, deixando-a para trás no dia seguinte...
Ela não era daquelas que chamava a atenção, provavelmente se você a visse na rua, nem iria notar aquela garota tímida, calada, quase sem presença onde se encontra. Talvez as pessoas percebam que ela está ali, justamente por ocupar aquele espaço, de forma que alguém poderia esbarrar nela.
Anda sempre com vários livros, não se veste com as roupas da marca, nem ousada demais, é normal, básica. Quem a conhece a vê como uma garota recatada, de poucos amigos, que não gosta de sair, que não sorri, sozinha e que não sabe nem o que é amar. É uma espécia de figurante na vida das pessoas, passa e ninguém nota, ninguém sente falta. Nunca ninguém disse que a amava, muito menos lhe escreveu cartas de amor, seus amigos de infância eram os únicos aos quais ela dava sorrisos e abraços sinceros, eram os únicos a quem ela aprendeu a amar. Mas não eram muitos, contam-se dois ou três, e talvez só um a conheça por completo e ainda tenha a suas dúvidas quanto a ela. Porque vivia tão isolada, tão longe do mundo, tão só consigo mesma, ninguém sabia, mas também não perguntavam, sabiam que ela não era dada a contar nada sobre ela, o máximo era sobre as notas da faculdade ou um filme que ela amou.
Dentro dela havia barreiras que ela mesmo construiu, nas quais ninguém conseguia ultrapassar. Mas nem ela sabia o porquê disso, talvez insegurança demais.
Pois, ninguém sabia que trancada, longe do mundo, essa garota possuía um brilho jamais visto. Dentro de seu quarto e da sua imaginação ela era quem ela pudesse ser. Usava das roupas mais ousadas, das maquiagens mais pesadas, pulava, cantava sorria. Era linda, e sabia disso.
Acordou as 8h da manhã e na cabeça todas aquelas promessas que fazemos no final de semana: "amanhã eu começo". Levantou-se, foi ao banheiro e lavou o rosto com intenção de despertá-la finalmente para as obrigações das quais ela não pode mais escapar, mas sempre acaba dando uma desculpa e deixando pra depois. As coisas acumularam-se, desde as tarefas da faculdade, quanto ao seu tempo livre, parece que 24h não era mais tempo suficiente e vendo isso, ela não acabava fazendo nada na expectativa de que num passe de mágica tudo se resolvesse, mas quando chegava a segunda ela sabia que o mundo era real e infelizmente não existia fadas-madrinha, ela mesma era responsável pelo seu final feliz.
Sentou-se e abriu o livro, leu as primeiras páginas. No meio do assunto sua cabeça começou a viajar pelo seus amigos, o que eles deveriam estar fazendo agora, visitou também o dia anterior e toda aquela felicidade que ela vivenciou na última festa que ela prometeu a sim mesma ir naquele período antes das férias. Concentrou-se de novo. Leu mais umas 7 páginas, resolveu ligar para uma amiga só pra "descansar" um pouco, daqui há 10m ela voltaria a estudar, a partir daquele momento ela tomaria rumo na sua vida. Com muito esforço conseguiu estudar tudo aquilo que planejou para o dia, estava feliz consigo mesma. A noite ela resolveu não fazer nada e no dia seguinte ela iria repetir novamente aquela segunda de estudos.
Terça-feira, acordou um pouco mais tarde, 9h para ser exato. Lavou seu rosto e sentou-se, abriu seu livro para dar continuidade, leu com muito afinco, sentia que aquilo era o que ela devia daqui em diante. Depois de umas 10 páginas lhe foi surgindo versos, palavras as quais gostaria de dar a alguém. Pegou seu lápis e começou a pôr no papel todas as suas idéias, suas rimas, suas alegorias, leu e releu, achou até bonitinho. Mas para quem ela escreveu aquilo? E trocou toda a sua manhã de estudos pensando em alguém que ainda não conhecia, mas que um dia seria dono de seus versos...

posso te fazer uma pequena pergunta?pra você entao o que é viver? read more
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